HomeBlogNotíciasO Movemente se consolida como o maior evento educacional de Minas

O Movemente se consolida como o maior evento educacional de Minas

Minas Gerais é um estado rico em cultura, histórias, criatividade e conhecimento. Mas a nossa maior riqueza está mesmo no nosso povo, na nossa gente. O que há de mais consistente por aqui são as pessoas e suas ideias, modos de fazer, de pensar e de criar soluções e de viver a vida. Ainda assim, mesmo sendo grandes em tantas frentes, seguimos tímidos para dizer a que viemos e para assumir publicamente o que fazemos de melhor, presos à imagem do mineiro que realiza muito, mas em silêncio, quase sempre acreditando que o trabalho bem feito fala por si.

Percebo que essa discrição histórica, que em outros tempos soava como virtude, hoje começa a ser atravessada por uma inquietude transformadora, por uma necessidade de mostrar que temos voz. Isso se revela nas iniciativas que brotam por todo o estado, nos projetos que nascem longe dos holofotes e ganham força coletiva, nas redes que se formam entre pessoas que acreditam que é possível fazer diferente.

Exemplos da nossa riqueza não faltam. O que precisa mudar agora é a disposição de sair da sombra, de reconhecer que fazer bem é necessário, mas que, quando isso é mostrado, também passa a inspirar quem faz e quem passa a conhecer. Em um mundo atravessado por disputas de narrativas, quem não comunica o que faz corre o risco de desaparecer. E vale o alerta: não se trata de fazer só para aparecer, mas de aparecer com aquilo que é real.

Há uma frase atribuída a Júlio César que ajuda a iluminar esse ponto e que atravessa séculos sem perder atualidade: “à mulher de César não basta ser honesta, é preciso parecer honesta”. A ideia, mais do que falar de aparência, trata de reputação e posicionamento público. Não basta ser competente, é preciso comunicar essa competência, dar forma, voz e presença ao que se constrói, especialmente quando se ocupa um espaço de relevância. A invisibilidade, ainda que confortável, cobra um preço alto quando o assunto é impacto social.

É nesse movimento que a educação mineira parece dar um passo simbólico importante. Belo Horizonte se prepara para viver, no fim do mês de fevereiro de 2026, algo que vai além de um calendário de palestras ou de mais um encontro setorial. A segunda edição do Movemente ocupará o Expominas como quem abre uma grande roda de conversa, reunindo educadores e gestores para perguntar, em voz alta e de forma coletiva, que escola estamos construindo e para quem ela realmente existe.

Mas, para além das perguntas, o evento também convida a olhar para a riqueza e a grandiosidade que já construímos aqui e a celebrar trajetórias, ideias e práticas que merecem ser vistas.

O Movemente surge como um espaço de aproximação com temas que se tornaram centrais para quem vive o cotidiano educacional. Por exemplo, falar de educação hoje é, antes de tudo, falar de saúde mental. Não como moda passageira nem como slogan empresarial, mas como urgência cotidiana. Educadores sobrecarregados, estudantes ansiosos, famílias cansadas e, muitas vezes, desnorteadas compõem um cenário que não pode mais ser tratado como exceção.

Dados recentes apontam o crescimento de afastamentos de professores por adoecimento emocional e o aumento expressivo de quadros de ansiedade entre crianças e adolescentes. Ignorar isso é insistir numa escola que funciona no automático, enquanto pessoas reais adoecem em silêncio. Colocar a saúde mental no centro do debate é reconhecer que ninguém aprende bem quando está em sofrimento e que ninguém ensina com qualidade quando carrega a exaustão como uniforme invisível.

Nesse cenário, discutir estratégias pedagógicas inovadoras deixa de ser futurista e passa a ser necessidade. Inovar não é trocar o quadro negro por uma tela digital sem mudar a lógica da aula. Inovar é perguntar se o que ensinamos dialoga com a vida que pulsa fora dos muros da escola, se os conteúdos fazem sentido para quem aprende e para quem ensina, se o currículo conversa com os desafios do mundo real. Estratégias inovadoras exigem coragem institucional, formação contínua e abertura para errar, ajustar e tentar de novo. É um processo que pede tempo, escuta e confiança, algo que o Movemente se propõe a provocar ao reunir quem pensa e quem pratica educação todos os dias.

As metodologias ativas entram nesse debate como um convite claro ao protagonismo. Elas deslocam o estudante do lugar passivo de quem apenas recebe informações e o colocam como sujeito do próprio aprendizado. Pesquisas indicam que estudantes engajados ativamente tendem a reter mais conhecimento e a desenvolver competências socioemocionais essenciais, como autonomia, colaboração e pensamento crítico. Em tempos de excesso de informação e respostas prontas, aprender a aprender se torna uma habilidade vital. E isso não acontece sem participação real, sem espaço para perguntas, tentativas e construção conjunta.

A inovação e a tecnologia aplicadas ao ensino surgem, então, como ferramentas, nunca como fim em si mesmas. Tablets, plataformas digitais e ambientes virtuais não resolvem sozinhos os problemas históricos da educação brasileira, mas podem ampliar horizontes quando usados com intenção pedagógica clara. Em um país marcado por desigualdades profundas, o debate tecnológico também precisa ser ético e responsável, perguntando quem tem acesso, quem fica de fora e como evitar que a tecnologia amplie ainda mais os abismos existentes. O Movemente cria espaço para essa reflexão madura, longe tanto do deslumbramento ingênuo quanto do medo paralisante.

Nesse mesmo caminho, a Inteligência Artificial na Educação se apresenta como um dos temas mais desafiadores do nosso tempo. Algoritmos capazes de personalizar trilhas de aprendizagem, corrigir atividades, apoiar diagnósticos pedagógicos e otimizar processos administrativos já fazem parte da realidade de muitas escolas. Ao mesmo tempo, surgem perguntas legítimas sobre ética, privacidade, autoria e o papel insubstituível do educador. Discutir inteligência artificial não é decidir se ela vai ou não entrar na escola, porque ela já entrou. A questão central é como será usada, a serviço de quem e com quais limites humanos claramente definidos.

Nenhum debate sobre o futuro da educação se sustenta se não abordar, de forma concreta, a educação inclusiva. Falar de inclusão é falar de acessibilidade física, pedagógica, emocional e cultural. É reconhecer estudantes com deficiência, com transtornos, com histórias de vida diversas e ritmos diferentes como parte legítima da comunidade escolar e não como exceções a serem toleradas. Dados do censo escolar mostram avanços importantes na matrícula de estudantes com deficiência na rede regular, mas também revelam desafios enormes na formação de professores e no suporte às escolas. Incluir não é apenas abrir a porta, é garantir permanência, aprendizado e pertencimento.

O Movemente nasce e cresce nesse contexto, como um espaço onde essas conversas não ficam restritas a discursos prontos, mas se transformam em trocas reais, desconfortos necessários e inspirações possíveis. Ao reunir educadores, gestores e empreendedores, o evento reconhece que o futuro da educação não será construído por um único setor, nem por respostas fáceis, mas por alianças, escuta qualificada e disposição genuína para mudar.

Saiba mais em @movementefuturo e movementefuturo.com.br

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